Gerações

VOCÊS FAZEM-ME SENTIR COTA!

Muitos dos que vão ler isto possivelmente não se lembrarão do tempo anterior à sic e tvi. Ou então quando nasceram já esses canais existiam. Por isso julgam que a televisão em portugal sempre foi composta por jornalismo de choque, novelas que se atropelam umas às outras, e programas intelecto e culturalmente nulos. Aliás, a um nível negativo, o que só é possível no género de programas da Endemol.
Mas não. Houve um tempo em que a televisão não era só sangue, mortes, nudez, novelas, pilas, cusquices alheias, Renato Seabra, tripas, Carlos Cruz, mamas, José Sócrates, Freeport, casa Pia, Fernando Mendes, e Goucha. Oh wait… Esqueçam a ultima parte. Esses dois já existiam.
Houve um tempo em que se acordava ao fim de semana de manhã para ver desenhos animados como “as fábulas da floresta verde”, ou “o panda tao-tao”. Tudo era mais humilde, mais amigável, mais feliz, nessa altura. Os desenhos animados não tinham maldade nenhuma, tal como é suposto. E depois havia programas de entretenimento cultural como o “sabadadadu” que era uma espécie de “revista à portuguesa” na televisão. E o “jogos sem fronteiras”. E o “clube dos amigos Disney”. E o “arca de Noé”. E o “Duarte e Ca”. E os “homens da segurança”.

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Eu, nascido em 1983, considero a minha infância como uma das ultimas gerações realmente felizes e livres. Podíamos ir brincar para a rua até à noite, andávamos de bicicleta pela cidade, jogávamos à bola, ao berlinde e ao pião. Mais tarde apareceram os yoyo’s da cocacola, os pegamonstros das batatas da matutano, os “tou” e as colecções de autocolantes com as raças dos cães nos bollycaos… Oh nostalgia…
Não tínhamos facebook. Nem twitter. Nem telemóveis. Nem computadores. Mas éramos felizes! Para onde foi essa alegria? Passámos a ser mal agradecidos pelo que temos hoje em dia? Se antigamente éramos felizes com tão pouco, porque não o somos hoje com tantas coisas novas que nos ligam uns aos outros? Faltará calor humano? A geração actual deixou de brincar na rua como se fazia até aos anos 90. Sim, ainda brincam na rua, mas 90% do tempo passam-no agarrados aos aparelhos, fechados em casa. Brincam à distancia, falam à distancia, vêm-se à distancia. É um dos podres da tecnologia actual, que aproxima pessoas, mas que ao mesmo tempo as separa através de um ecrã.
No final dos anos 80 começou a aparecer os primeiros desenhos animados “mais violentos” que o costume. O gi-joe, as tartarugas ninja, o He-man… Carregavam porrada a montes. Mas ainda havia desenhos animados como o Capitão América ou o Bocas a instruir alguma cultura e boa disposição à criançada.
No inicio dos anos 90 apareceu a SIC. Trouxe novidades a que não estávamos habituados como o “nunca digas banzai”, “Mogli e o livro da selva” e homens quase nus à porrada (wrestling). Foi o inicio do fim da inocência televisiva portuguesa. E da cultura também, já que sensivelmente desde essa altura que se deixou de ver programas realmente cultos na televisão portuguesa. Sim, de vez em quando lá passa um ou outro, mas é coisa cada vez mais rara. Hoje em dia se quisermos ter cultura e conhecimento somos obrigados a pagar por canais como o Discovery, o National Geographic, ou a SIC Notícias. Todos os canais actuais de sinal aberto apenas passam diarreia mental desculturalizada.
Pouco tempo depois via-se bichonas eléctricas aos saltos e aos gritinhos estridentes a tarde toda de sábado (big show sic), depois passou a ser à noite com gajas com (AINDA) menos roupa, e deixaram a tarde para repetir filmes que toda a gente já viu 748282844 vezes (ainda hoje não largaram essa mania).
Depois, a SIC parece ter descoberto um nicho que faltava no país, pois os directos a partir do aquaparque (morte da criança sugada da piscina), das obras no aeroporto (derrocada) e do garrafão da ponte 25 de Abril (buzinão de manifestação) atingiram níveis de visualização tais, que deram a crer que havia pessoas sedentas de informação em tempo real, coisa que não existia quando apenas existia a RTP. A partir daí, a SIC começou a especializar-se nessa área e culminou no primeiro canal de informação português (CNL, hoje conhecido por SIC Notícias).
Mas antes disso houve o “boom” da violência e da decadência na televisão. Principalmente por desenhos animados como o Dragon Ball. Antes desse, poucos, MUITO POUCOS tinham tanto sangue, porrada, membros mutilados e morte. E tudo isto antes do meio dia, de segunda a sexta…
E daí pra cá tem sido sempre, SEMPRE a piorar. Já nem falo dos Hentai, dos programas decadentes estilo big brother/casa dos segredos/etc. Está tudo à vista de quem quiser ver!
Estaremos nós, portugueses, mais tristes por causa do que as nossas televisões nos fazem ver? Estará a actual geração mais nova, que agora está na idade dos desenhos animados, destinada a ser ainda mais violenta que as duas que a antecederam desde os anos 80? É que eu tenho um irmão de 10 anos e às vezes quando vejo coisas que ele vê nos canais panda e afins, até me arrepio!

Volta inocência. Estás perdoada.

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